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O que evitar antes de criar um curso

O que evitar antes de criar um curso online: os nove erros que atrasam o primeiro produto em meses, e o que fazer no lugar de cada um.

Estratégia & Mercado Rafael Almeida

O microfone está na caixa, em cima do armário, faz quatro meses. O curso ainda não existe.

O atraso quase sempre começa numa decisão tomada antes da primeira aula, que parecia sensata na hora e travou o resto. Por isso vale saber o que evitar antes de criar um curso.

Abaixo estão os nove erros que mais seguram o primeiro produto. Cada um tem o que fazer no lugar, e a maioria tem um texto inteiro aqui no blog se você quiser ir fundo.

O que evitar antes de criar um curso: a lista

  1. Começar listando tudo o que você sabe
  2. Escolher um assunto em vez de um problema
  3. Prometer algo que não cabe numa frase
  4. Comprar equipamento antes de ter o que gravar
  5. Gravar tudo antes de vender uma vez
  6. Escolher a plataforma antes do produto
  7. Esperar ter audiência pra começar
  8. Pensar na primeira aula e esquecer a volta do aluno
  9. Cobrar pela quantidade de horas

1. Começar listando tudo o que você sabe

Parece o jeito organizado de começar. Você abre um documento e escreve os tópicos. Em duas horas a lista tem trinta e oito itens.

Aí você faz a conta de quanto tempo levaria pra gravar aquilo, e o projeto morre no documento, antes de qualquer aula existir.

O que fazer no lugar: começa pelo resultado. Escreve numa linha o que a pessoa vai conseguir fazer quando terminar, e lista só os passos entre hoje e esse ponto. O número de aulas sai daí. O passo a passo completo está em quantas aulas deve ter um curso online.

2. Escolher um assunto em vez de um problema

“Marketing digital” é um assunto. “Não saber o que postar amanhã de manhã” é um problema.

A diferença parece detalhe e decide tudo. Assunto não tem fim, então o curso cresce sem parar. Problema tem começo e fim, então o curso nasce com tamanho.

Um jeito rápido de achar o seu: repara no que as pessoas mais te perguntam. Não no que você mais gosta de ensinar. As perguntas que se repetem já são o índice do produto, e como transformar o que você sabe em um curso mostra como usar isso.

É essa escolha que define um Curso de Bolso: um problema por produto, com uma transformação declarada.

3. Prometer algo que não cabe numa frase

“Você vai dominar as vendas.” “Vai transformar sua vida financeira.” Promessa grande, genérica, que ninguém consegue conferir.

Quem compra quer chegar em algum lugar. Se você não consegue dizer, numa frase com um verbo, onde a pessoa chega no fim, ela também não consegue. E aí não compra, ou compra e para no meio porque nunca soube quando tinha terminado.

O que fazer no lugar: uma promessa que se verifica. “Montar a primeira planilha de fluxo de caixa.” “Parar de perder cliente por descolamento.” Se dá pra saber se aconteceu, dá pra vender e dá pra terminar.

4. Comprar equipamento antes de ter o que gravar

Câmera, microfone de lapela, luz de estúdio, fundo infinito. Tudo antes da primeira aula.

O equipamento dá a sensação de que o projeto andou, e esse é o problema. Ele vira o marco de progresso no lugar do curso, e o curso continua sem existir.

Para a primeira versão, o celular que você já tem resolve. Luz de janela, um lugar sem eco e o áudio perto da boca fazem mais diferença que qualquer câmera. O que dá pra fazer com o que já está no seu bolso está em como gravar curso pelo celular.

Equipamento melhora a experiência depois que o produto provou que resolve alguma coisa.

5. Gravar tudo antes de vender uma vez

Esse é o erro mais caro da lista, porque ele esconde o risco maior.

Você passa semanas gravando, editando, montando módulo. Só depois descobre se alguém paga pra resolver aquele problema. Se ninguém paga, o tempo inteiro foi perdido.

O que fazer no lugar: vende antes de terminar. A primeira versão pode sair com as primeiras aulas prontas e o resto gravado no ritmo de quem comprou. Você ganha dinheiro antes, e ganha a informação que mais importa, a de que o problema existe e vale alguma coisa. Os prazos reais disso estão em quanto tempo leva para criar um curso online.

6. Escolher a plataforma antes do produto

Hotmart, Kiwify, Eduzz, Cakto. A comparação consome semanas, e costuma acontecer antes de o curso ter uma aula.

O problema é que a plataforma certa depende de coisas que ainda não existem: o preço, o tipo de produto, como você vai vender. Até a conta da taxa muda conforme o preço, e o preço você ainda nem definiu. Decidir cedo é escolher no escuro, e as semanas de comparação são semanas em que o curso não andou.

Escolhe quando o produto estiver desenhado. Aí a conta é simples, e os critérios estão em Hotmart, Kiwify, Eduzz ou Cakto: qual escolher.

7. Esperar ter audiência pra começar

“Vou criar o curso quando tiver dez mil seguidores.” A meta de seguidores vira o motivo de não começar, e o curso fica pra depois de um depois que nunca chega.

Produto com promessa específica se vende pra pouca gente. Uma conversa por vez, pras pessoas que já te pedem ajuda sobre aquele assunto. Audiência ajuda a escalar, mas não é pré-requisito pra validar. O caminho pra isso está em como vender curso sem ter audiência.

8. Pensar na primeira aula e esquecer a volta do aluno

Quase todo mundo desenha o curso pra quem vai sentar e assistir tudo de uma vez. Quase ninguém faz isso.

A pessoa assiste uma aula no almoço. Some três dias. Volta à noite, cansada, e não lembra onde parou. Se o curso obriga ela a recomeçar pra se achar, ela não volta mais.

O que fazer no lugar: pensa desde o começo em como a pessoa retoma. Aula curta com objetivo claro, o próximo passo sempre visível, um resumo pra quando ela volta depois de dias. Os primeiros minutos dessa relação estão em onboarding de aluno em curso online.

9. Cobrar pela quantidade de horas

“Tem trinta horas de conteúdo, então vale tanto.” A conta parece justa e trabalha contra você.

Ela empurra o curso pra ficar maior, porque mais hora parece justificar mais preço. E o curso maior é justamente o que menos gente termina.

O preço acompanha o tamanho do problema resolvido. Um curso curto que resolve algo urgente pode valer mais que um longo genérico, e ainda é mais fácil de vender, porque a promessa se confere. Como fazer essa conta sem chutar está em quanto cobrar por um curso online.

O que fazer no lugar, em cinco movimentos

Se você juntar o que está do outro lado de cada erro, sai um caminho curto:

  1. Recortar. Escolher um problema específico, o que mais te perguntam.
  2. Definir. Escrever numa frase o que a pessoa vai conseguir fazer no fim.
  3. Construir. Fazer a primeira aula completa, e só depois repetir a lógica dela.
  4. Cortar. Tirar o que não leva até o resultado, mesmo que seja o que você mais gosta.
  5. Adaptar. Deixar a mesma aula caber em momentos diferentes da rotina de quem comprou.

É o caminho que define um Curso de Bolso, e ele cabe numa semana. Mais textos sobre como decidir o que criar estão em estratégia e mercado.

O próximo passo

Volta na lista e marca em qual erro você está agora. Quase todo mundo está em um só, e é esse que segura o resto.

Se quiser fazer os cinco movimentos com um caminho pronto, dia a dia, o Curso de Bolso em 7 Dias é o nosso produto de entrada: um problema, sete dias, a primeira versão do seu curso pronta no fim.

Perguntas frequentes

Qual o maior erro de quem vai criar o primeiro curso?

Começar pelo tamanho. A pessoa abre um documento, lista tudo o que sabe, chega em quarenta aulas e o projeto morre ali, antes de qualquer gravação. O primeiro curso começa por um problema e pelo resultado que o aluno quer, e o número de aulas sai disso.

Preciso de equipamento profissional para criar um curso?

Para a primeira versão, não. O celular que você já tem, luz de janela e um lugar sem eco resolvem. Equipamento melhora a experiência depois que o produto provou que alguém paga para resolver aquele problema.

Preciso gravar o curso inteiro antes de vender?

Não precisa. Dá para vender a primeira versão com as primeiras aulas prontas e gravar o resto no ritmo da turma. Isso ainda mostra, antes de você investir semanas, se o problema escolhido faz alguém pagar.

Devo escolher a plataforma antes de criar o curso?

Escolha depois. A plataforma certa depende do tipo de produto, do preço e de como você vai vender, e nada disso está claro antes de o curso existir. Decidir cedo costuma virar semanas de comparação antes de o curso ter uma aula.

Preciso ter muitos seguidores para criar um curso?

Não. Um curso com promessa específica se vende para pouca gente, uma conversa por vez. Audiência ajuda a escalar depois, mas o primeiro produto pode ser validado com as pessoas que já te pedem ajuda sobre aquele assunto.

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