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Cursos tradicionais ou Curso de Bolso: qual escolher?

Curso tradicional ou Curso de Bolso? Depende do que a pessoa quer comprar, da rotina dela e do momento do seu negócio. Veja quando cada um ganha.

Estratégia & Mercado Rafael Almeida

Numa aba, o cronograma de uma formação de doze módulos. Na outra, a ideia de um curso de sete aulas que resolve uma coisa só.

As duas parecem sensatas. É por isso que a pergunta curso tradicional ou Curso de Bolso trava tanta gente boa: não existe uma resposta certa pra todo mundo, e quase todo conteúdo sobre isso escolhe um lado antes de olhar pro seu caso.

A resposta curta depende de três coisas. O que a pessoa quer comprar. Como é a rotina dela. E em que momento está o seu negócio.

O resto do texto é como olhar cada uma.

Curso tradicional ou Curso de Bolso: o que está em jogo

Antes de escolher, vale separar os dois pelo que eles fazem.

O curso tradicional parte do que o especialista sabe. Organiza em módulos, cobre o assunto de ponta a ponta e entrega uma formação. O aluno sai sabendo muito sobre o tema.

O Curso de Bolso parte do problema de quem compra. Escolhe um só, corta tudo que não leva até ele e entrega em aulas curtas, em vários formatos. O aluno sai conseguindo fazer uma coisa que não conseguia antes.

Se quiser a definição completa e o que um Curso de Bolso não é, ela está em o que é um Curso de Bolso. Aqui o foco é outro: quando cada um é a escolha certa.

Quando o curso tradicional é a escolha certa

Existe um lado desse debate que quase ninguém conta. Tem caso em que o curso grande ganha.

Quando a pessoa quer uma formação. Tem gente que compra pra virar alguma coisa. Quer sair profissional de uma área, com a base inteira, e está disposta a pagar e esperar por isso. Pra ela, um curso de sete aulas parece pouco, e ela tem razão.

Quando as etapas dependem umas das outras. Tem assunto em que o passo cinco não faz sentido sem o quatro, e o quatro sem o três. Se não dá pra separar um pedaço que resolva algo sozinho, o recorte vira mutilação.

Quando o público reserva tempo pra estudar. Quem estuda pra prova, pra certificação ou pra mudar de carreira costuma sentar pra isso. Bloqueia a noite, bloqueia o sábado. Esse aluno aguenta um curso longo porque ele organizou a vida em volta do estudo.

Quando o curso grande já funciona. Se você tem um curso tradicional com boa conclusão e pouco reembolso, não existe motivo pra desmontar. O dado manda mais que a moda.

Quando o Curso de Bolso é a escolha certa

Do outro lado, estes são os sinais de que o pequeno ganha.

Quando o resultado cabe numa frase. “Parar de perder cliente por descolamento de unha.” “Montar a primeira planilha de fluxo de caixa.” Se a transformação se escreve numa linha, com um verbo, ela não precisa de doze módulos.

Quando a rotina de quem compra é picada. A pessoa trabalha o dia inteiro. O tempo dela pra aprender é o intervalo do almoço, a fila, os minutos antes de dormir. Um curso que exige uma hora sentada disputa com tudo isso e perde.

Quando é o seu primeiro produto. Aqui mora a maior diferença. O curso tradicional exige meses de gravação antes da primeira venda. O Curso de Bolso fica pronto em dias e responde a pergunta que importa: alguém paga pra resolver isso? Se você ainda não sabe, gastar meses antes de descobrir é o risco mais caro do começo.

Quando você não tem audiência grande. Produto pequeno, com promessa específica, é mais fácil de explicar em uma frase e de vender pra pouca gente. Tem um caminho inteiro sobre isso em como vender curso sem ter audiência.

A pergunta que resolve a dúvida em um minuto

Se depois disso ainda estiver em dúvida, faz um teste só.

Escreve numa linha o que a pessoa vai conseguir fazer quando terminar o seu curso.

Se saiu uma frase com um verbo concreto, do tipo “conseguir fazer tal coisa”, o seu produto é um Curso de Bolso. O resultado é específico, e produto específico se vende e se termina.

Se saiu algo como “dominar tal área” ou “virar profissional de tal coisa”, você está descrevendo uma formação. Aí vale o curso tradicional, ou uma sequência de Cursos de Bolso, que aparece mais abaixo.

Se não saiu nada, o problema é anterior à escolha do formato. Ainda não está claro qual problema você resolve, e nenhum dos dois vai funcionar até isso ficar claro.

Quadro de decisão

Se a sua situação é…A escolha
Primeiro produto, ainda sem saber se vendeCurso de Bolso
Resultado específico, que cabe numa fraseCurso de Bolso
Público com rotina corrida e tempo picadoCurso de Bolso
Pouca audiência, venda um a umCurso de Bolso
Público que quer formação completaCurso tradicional
Etapas que não se sustentam separadasCurso tradicional
Aluno que reserva tempo pra estudarCurso tradicional
Curso grande que já tem boa conclusãoMantém o que funciona

Repara que a maior parte das linhas fala de quem compra. É esse o critério. O formato que você acha mais bonito entra por último.

E se eu escolher errado?

A boa notícia é que um dos erros tem conserto fácil e o outro dá trabalho.

Começar pelo Curso de Bolso e descobrir que o público queria mais é o erro barato. Você acrescenta o próximo produto, e os alunos que terminaram o primeiro são os primeiros a comprar o segundo. O pequeno cresce sem refazer nada.

Começar pelo curso tradicional e descobrir que ninguém termina é o erro caro. Aí o caminho é recortar o que já existe. Um curso de sessenta aulas geralmente contém vários Cursos de Bolso mal embalados, e o passo a passo pra desmontar está em quantas aulas deve ter um curso online, na parte de quem já tem as aulas gravadas.

Quem já passou pelo segundo sabe que o sinal aparece antes na conclusão do que no caixa. Os motivos de por que o aluno não termina o curso quase sempre apontam pro ponto onde o curso ficou grande demais pra rotina de quem comprou.

O caminho do meio: formação feita de Cursos de Bolso

Tem uma terceira opção, e ela resolve boa parte dos casos que parecem “formação”.

Em vez de uma formação de doze módulos que só entrega resultado no fim, você monta uma sequência de Cursos de Bolso. Cada um resolve um problema, tem começo, meio e resultado próprio. Juntos, formam o caminho inteiro.

O aluno ganha uma vitória a cada etapa. Você ganha um produto que pode ser vendido junto ou em partes, e um dado claro de onde as pessoas param. E se alguma etapa não funcionar, você mexe nela sem desmontar o resto.

É o desenho que junta a profundidade do curso tradicional com a conclusão do pequeno. Mais textos sobre como escolher o que criar estão em estratégia e mercado.

O próximo passo

Se o teste da frase apontou pro Curso de Bolso, o jeito mais direto de fazer o primeiro é seguir um caminho que já foi desenhado pra isso.

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Perguntas frequentes

Qual é melhor para o primeiro produto, curso tradicional ou Curso de Bolso?

Para o primeiro produto, o Curso de Bolso quase sempre. Ele fica pronto em dias, testa se alguém paga para resolver aquele problema e mostra onde o aluno trava. O curso tradicional exige meses de produção antes da primeira venda, e quem ainda não vendeu nada não sabe o que o aluno precisa.

Curso de Bolso serve para assunto complexo?

Serve, mas raramente como um só. Assunto complexo costuma render vários Cursos de Bolso, cada um resolvendo um problema dele. Se as etapas dependem tanto umas das outras que não dá para separar, aí é caso de formação.

Posso cobrar o mesmo por um Curso de Bolso e por um curso tradicional?

O preço acompanha o tamanho do problema resolvido, não a quantidade de horas. Um Curso de Bolso que resolve algo urgente pode valer mais que um curso longo genérico. O que muda é o argumento de venda: no pequeno você vende o resultado, no grande costuma vender a formação.

Já tenho um curso tradicional. Preciso transformar em Curso de Bolso?

Só se o dado pedir. Se a maioria dos alunos termina e aplica, o curso está funcionando e não há o que mexer. Se a conclusão é baixa e o reembolso é alto, vale recortar, e um curso grande geralmente contém vários Cursos de Bolso.

Dá para ter os dois?

Dá, e é um bom desenho. Uma formação pode ser uma sequência de Cursos de Bolso, cada um com o próprio resultado. O aluno comemora uma vitória a cada etapa em vez de esperar o fim de doze módulos para sentir que andou.

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