No Instagram, alguém jura que ninguém mais compra curso, porque agora todo mundo aprende com IA. No direct, chega a pergunta que sai disso: ainda vale a pena criar o meu?
A resposta curta é sim, cursos online ainda funcionam. Mas a resposta só se sustenta depois de separar três teses que viraram senso comum no mercado digital, e cada uma tem um pedaço de verdade misturado com exagero.
Respondi isso no vídeo acima, com o que eu vejo em dez anos de mercado e nas conversas de todo dia, tanto com quem está começando quanto com cliente que já fatura alto. Este texto é a versão organizada. Leva o que fizer sentido e confere o resto. Desconfiar é saudável.
As três teses que circulam no mercado
- “Todo mundo agora aprende com IA.” Logo, ninguém precisa de curso.
- “Ninguém compra mais curso online.” O mercado teria acabado.
- “Curso longo funciona e curso curto é para preguiçoso.” Ou o contrário, dependendo de quem vende.
As três têm o mesmo defeito. Pegam um comportamento real de uma parte das pessoas e colocam todo mundo na mesma caixinha.
Tese 1: “todo mundo agora aprende com IA”
Uma pergunta antes: qual foi a última coisa que você aprendeu com inteligência artificial?
Aprendeu. A ênfase está aí de propósito.
Tirar dúvida, pesquisar e aprender
Quem usa IA no dia a dia faz quase sempre uma de três coisas.
Tirar dúvida. É o uso da maioria. A pessoa tem uma pergunta pontual, pergunta e resolve. Como converter um arquivo, o que significa um termo, qual a fórmula de uma planilha.
Pesquisar. Uma parte já usa a IA como usava o Google, só que mais fundo. Pede fontes, compara, aprofunda um tema.
Aprender. Uma minoria entra e sai sabendo fazer uma coisa que não sabia. E é minoria por um motivo simples: aprender pede método, aplicação, esforço e tempo. Pede saber em que fase você está, o que precisa absorver agora e como conferir se está aplicando certo.
A IA é ótima nas duas primeiras. Na terceira, ela responde o que você pergunta. Quem está começando ainda não sabe o que perguntar.
O que aconteceu quando eu tentei aprender contabilidade com IA
Há um tempo eu quis entender algumas saídas tributárias para empresa no Brasil. Fui pela IA primeiro.
Ela tinha a informação. Só que o assunto pedia profundidade, ordem e, principalmente, alguém para validar se o que eu estava entendendo servia para o meu caso. Acabei indo atrás de quem tinha vivência, experiência e prática de todo dia com aquilo.
O profissional me mostrou o caminho em muito menos tempo do que eu levaria perguntando para a IA. Ele sabia o que importava, o que era detalhe e onde quem está aprendendo costuma errar.
É isso que um curso empacota. Ele leva junto o conteúdo e o direcionamento de quem já percorreu o caminho, com método para aprender e um jeito de validar se a pessoa está aplicando direito.
Tese 2: “ninguém compra mais curso online”
Os números dizem outra coisa. Num levantamento divulgado em março de 2026, a Hotmart informou que só os cursos de capacitação em IA movimentaram R$ 142,8 milhões em 2025, alta de 700% sobre 2023 (Estado de Minas). O assunto que ia matar o curso online virou um dos que mais vende curso online.
No ensino superior, a EaD já responde por 50,7% das matrículas no Brasil, segundo o Mapa do Ensino Superior 2026, do Semesp. O mesmo levantamento mostra o outro lado: a evasão na EaD chegou a 41,6% em 2024, contra 24,8% no presencial (Poder360).
As pessoas continuam comprando ensino online. O que pesa cada vez mais é se elas chegam ao fim.
O que as pessoas compram de verdade
Quem compra um curso hoje procura direcionamento de alguém que tem:
- vivência, porque passou pelo problema.
- experiência, com resultado e com tropeço.
- habilidade prática, porque faz aquilo de verdade.
- conhecimento aplicado, testado na vida real.
Some a isso um método de ensino e o atalho de saber o que dá certo e o que dá errado. A pessoa paga por chegar a um resultado real e mensurável, sem montar o caminho sozinha. A informação ela até acha de graça.
Escola online não está fechando. O que existe é muito conteúdo colocando todo mundo no mesmo bolo, e muito infoprodutor se sabotando por acreditar nele.
Onde a IA entra no curso
Dá para colocar IA no curso, e eu coloco nos meus produtos. Ela entra na entrega, no empacotamento do método e no direcionamento do aluno no dia a dia.
Delegar 100% para ela é bobagem. A vivência do infoprodutor é o que orienta a IA, e esse refino nunca acaba. Todo dia aparece um imprevisto que uma pessoa resolve, isso vira experiência nova, e a experiência volta para o curso.
Se você quer ver como isso funciona na prática, tem um passo a passo em como criar um curso online com IA e um texto sobre o curso dentro do ChatGPT e do Claude.
Tese 3: curso longo ou curso curto
Tem uma parte do mercado defendendo que curso longo é o que funciona e curso curto é para preguiçoso. Eu respeito. Quem defende isso normalmente vende um curso longo, com aula de cinquenta minutos, e cada um vende o seu peixe.
Eu não defendo nenhum dos dois. O meu produto low ticket fica no meio: pouco mais de três horas de conteúdo, divididas em aulas de no máximo oito minutos. O tamanho total nunca foi o critério.
O consumo do aluno: quando, como e em que formato
O critério foi o consumo do aluno. Três perguntas:
- Quando ele vai assistir?
- Como ele vai assistir?
- Em que formato ele quer consumir?
Tem gente que aprende melhor no vídeo. Tem quem prefira áudio, texto, mapa mental ou material para preencher. Eu não sei de antemão como cada pessoa absorve.
Por isso toda aula que eu entrego em vídeo vira também áudio, vira um PDF estruturado para ler e fica disponível para o aluno estudar com o Super Mentor na IA que ele já usa, no ChatGPT ou no Claude. Ele aprende na hora e no formato que preferir.
Os formatos possíveis, e quando cada um encaixa, estão em formatos de curso online. Para o tamanho de cada aula, a régua está em duração ideal de aula em curso online.
Curso de formação ou resolução de problema
Existe uma diferença grande entre os dois.
Formação é para quem está se formando em alguma coisa. Precisa ser mais densa, mais aplicada, e o aluno reserva tempo para ela. Faz sentido, eu também tenho curso de formação.
Resolução de problema é para quem tem um problema pontual e quer resolver logo. Pede um produto pontual, enxuto, que a pessoa termina na semana em que comprou. Foi o que eu escolhi para o meu produto de entrada.
O erro é tratar os dois do mesmo jeito. Obrigar todo mundo a sentar e assistir aula de cinquenta minutos, na minha opinião, é chamar a sua audiência de idiota. Nem todo mundo tem o mesmo tempo, e ninguém aprende do mesmo jeito. E boa parte do curso longo que existe por aí é só enchimento.
Por que o curso vendido pelo tamanho perdeu força está em por que os cursos tradicionais estão morrendo. Se você está escolhendo entre os dois formatos agora, os critérios estão em cursos tradicionais ou Curso de Bolso.
Então, cursos online ainda funcionam?
Sim. E funcionam muito, desde que três coisas estejam no lugar:
- um problema que a pessoa já procura resolver, de preferência agora.
- um resultado tangível no fim, que dá para mostrar.
- respeito pelo consumo dela, no tempo e no formato que ela tem.
A maior parte das mensagens que eu recebo vem de gente que quer criar um curso, mas não quer criar uma formação. Quer um produto enxuto e trava em duas dúvidas: onde a IA entra e o que ela não faz. As duas respostas estão acima.
Mais textos sobre para onde o mercado está indo estão em estratégia e mercado.
O próximo passo
Antes de decidir o tamanho do seu curso, escreve numa linha o problema que ele resolve. Se couber, você tem um produto de resolução de problema na mão. Se precisar de um parágrafo, talvez seja uma formação.
O Curso de Bolso em 7 Dias foi feito para o primeiro caso: sete dias para sair com um produto pequeno desenhado em volta de um problema só.
E conta nos comentários do vídeo no canal do Rafa do InfoSaaS qual foi a última coisa que você aprendeu de verdade com IA. Eu leio todos.
Perguntas frequentes
A IA vai substituir os cursos online?
A IA já ocupou o lugar da busca por informação solta. O que ela não faz sozinha é decidir a ordem do aprendizado de quem está começando e dizer se a pessoa aplicou certo. Curso que usa IA na entrega, com o método do especialista por trás, sai mais forte dessa mudança.
Dá para aprender de verdade só com o ChatGPT?
Dá, para quem já sabe montar o próprio caminho de estudo e tem como conferir se está certo. Quem está começando esbarra num problema anterior: ainda não sabe quais perguntas fazer, e a IA responde só o que foi perguntado.
O mercado de cursos online está crescendo no Brasil?
Pelas estimativas públicas, sim. A IMARC Group calcula que a educação online no Brasil somou US$ 1,8 bilhão em 2025 e projeta crescimento de cerca de 21% ao ano até 2034, chegando a US$ 10,1 bilhões.
Curso curto vende menos que curso longo?
Não existe régua única. Curso curto que resolve um problema que a pessoa já procura costuma vender com mais facilidade, porque a promessa cabe numa frase. Curso longo vende quando o comprador quer uma formação e reservou tempo para ela.