Digite “low ticket” no Google e repare no que ele completa sozinho. Vem nome de método, vem nome de gente, e logo em seguida vem “funciona”, “é confiável” e “reclame aqui”.
Isso diz duas coisas de uma vez. A primeira é que o termo virou nome de produto antes de virar nome de categoria. A segunda é que muita gente chegou lá desconfiada, e com motivo.
Então vale começar pelo começo, sem vender nada na primeira linha.
O que é low ticket
Low ticket é uma faixa de preço. É o produto barato o suficiente para a pessoa decidir sozinha, sem pesquisar muito, sem pedir opinião e sem precisar falar com um vendedor.
No digital brasileiro essa faixa costuma ir de cerca de R$ 20 a R$ 300. Não existe linha oficial, e o corte real não é o número: é o ponto em que a pessoa para de decidir por impulso e começa a comparar.
O nome descreve o preço. Ele não diz nada sobre o formato, sobre a qualidade nem sobre como se vende. Ebook, curso curto, planilha, template, comunidade e mentoria em grupo barata cabem todos aí.
E é útil saber o que fica de fora: acima dessa faixa está o high ticket, onde a pessoa pesquisa, conversa e às vezes parcela em muitas vezes. São operações diferentes, e a comparação entre as duas merece texto próprio.
Por que o termo virou nome de método
Aqui está a parte que explica a desconfiança.
Como a faixa é fácil de entender e o resultado é fácil de prometer, o termo foi adotado como nome comercial por vários programas que ensinam a vender assim. Cada um com um nome próprio colado na palavra.
O efeito disso é que, quando você busca “low ticket”, raramente encontra explicação. Encontra oferta.
Isso tem dois custos para quem está começando. O primeiro é que fica difícil entender a categoria, porque tudo que aparece já está vendendo alguma coisa. O segundo é que o mercado inteiro ficou com cara de promessa, e quem chega hoje chega com o pé atrás.
A pergunta honesta não é se low ticket funciona. É em que condição ele funciona, porque as condições são poucas e bem específicas.
E se você está avaliando algum método que ensina isso, duas perguntas separam bem: ele mostra a conta de margem com número, ou só o print do faturamento? E ele fala do que acontece depois da primeira venda, ou termina no dia do lançamento?
As duas condições
1 · Entregar precisa custar quase nada por pessoa.
Faça a conta com os seus números. Pegue a margem que sobra de uma venda depois de taxa de plataforma, imposto e tráfego. Num produto de R$ 97 isso costuma sobrar algo entre R$ 30 e R$ 50.
Agora divida isso pelo custo da sua hora. Em muitos casos, vinte minutos de atendimento humano já consumiram o lucro daquela venda inteira.
Colocando numa tabela, com percentuais que costumam aparecer na prática:
| R$ 47 | R$ 97 | R$ 197 | |
|---|---|---|---|
| Taxa de plataforma e imposto (~20%) | R$ 9,40 | R$ 19,40 | R$ 39,40 |
| Custo de aquisição pago | R$ 15 a 25 | R$ 20 a 35 | R$ 30 a 50 |
| Sobra por venda | R$ 3 a 23 | R$ 42 a 57 | R$ 107 a 127 |
| Minutos de atendimento que isso paga | 2 a 15 | 25 a 35 | 65 a 75 |
Confira com os seus próprios números, porque taxa e custo de aquisição variam muito por nicho. O que a tabela mostra é a forma da conta: quanto mais barato o produto, menos conversa humana ele aguenta por pessoa.
Por isso o produto precisa se explicar sozinho, e por isso a operação de entrega decide mais que o criativo. A conta completa está em como entregar produto low ticket.
2 · Precisa existir um próximo passo.
Um produto de R$ 97 vendido para trezentas pessoas fatura vinte e nove mil. Parece bom até você lembrar que, se não existe nada depois, no mês seguinte o trabalho recomeça do zero, com custo de aquisição subindo.
Quem compra e gosta é a pessoa mais barata de vender de novo que existe no seu negócio. Se você não tem o que oferecer a ela, o low ticket virou um fim de linha caro.
Essa é a diferença entre produto de entrada e produto barato. O primeiro leva a algum lugar.
Exemplos de produto low ticket que se sustentam
O que costuma funcionar nessa faixa tem três características juntas: resolve um problema, a pessoa consegue terminar, e o resultado aparece rápido.
- Um curso curto sobre um problema específico. Não o assunto inteiro, um problema. Dez aulas de três minutos resolvendo uma coisa.
- Um ebook que responde de volta, quando o leitor consegue aplicar ao caso dele em vez de ler teoria.
- Um kit de templates que economiza uma tarde de trabalho de quem compra.
- Um diagnóstico pago barato que termina numa recomendação. Vende pouco, qualifica muito.
O que costuma falhar é o oposto: o produto grande e barato. Quarenta horas por R$ 47 parece generoso e produz o pior dos dois mundos, porque ninguém termina e a margem não paga o suporte de quem tenta.
Se você está decidindo entre formatos, a comparação entre ebook ou curso online ajuda a escolher pelo que a pessoa precisa fazer, e não pelo que dá menos trabalho.
Os três erros mais comuns
Preço baixo demais para o nicho. Se toda formação da área custa acima de mil reais e a sua custa oitenta, a pessoa não pensa em oportunidade. Ela pensa que tem alguma coisa errada. O método para chegar no número está em quanto cobrar por um curso online.
Tratar low ticket como estratégia. É preço. A estratégia é o que vem antes e o que vem depois dele.
Subir tráfego antes de saber quem compra. Tráfego multiplica o que já funciona e acelera o prejuízo do que não funciona. As primeiras vendas servem para descobrir quem compra, por quê, e qual objeção aparece.
Quando não usar essa faixa
Vale dizer, porque quase ninguém diz.
Se o seu serviço resolve um problema caro e você atende poucas pessoas por mês, um produto de R$ 97 pode atrapalhar. Ele ocupa a sua agenda de suporte, atrai um público diferente do seu e ancora o seu valor para baixo.
Nesses casos o caminho costuma ser o inverso: menos clientes, preço maior, e um produto barato só como porta, se existir porta.
O próximo passo
Se você está decidindo se entra nessa faixa, responda duas perguntas antes de escolher o preço.
Quanto custa entregar para mais uma pessoa? Se a resposta envolve o seu tempo, o número precisa ser outro.
O que essa pessoa compra depois? Se não há resposta, o produto ainda não está pronto para ser barato.
E se a resposta for montar um produto de entrada que resolve um problema inteiro e leva a algum lugar, é isso que o Curso de Bolso em 7 Dias faz, do recorte do problema até a oferta com preço e próximo passo.
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Perguntas frequentes
O que é low ticket no marketing digital?
É a faixa de produtos de preço baixo, comprados por impulso ou com pouca pesquisa. No Brasil costuma ir de cerca de R$ 20 a R$ 300. O nome descreve o preço, e não o formato nem o método de venda.
Qual o valor máximo de um produto low ticket?
Não existe linha oficial. O corte prático é o valor em que a pessoa deixa de decidir sozinha e passa a pesquisar, comparar e perguntar para alguém. No digital brasileiro isso costuma acontecer entre R$ 200 e R$ 300.
Low ticket funciona?
Funciona quando entregar custa quase nada por pessoa e existe um próximo passo para quem comprou. Quando é o fim da linha, o volume traz suporte e reembolso na mesma proporção, e a margem some.
Qual a diferença entre low ticket e high ticket?
O preço e, por causa dele, tudo o mais: quem compra sozinho e quem precisa conversar antes, quanto custa entregar por pessoa e quanto atendimento cabe na margem. São modelos com operações diferentes.
Preciso ter audiência para vender low ticket?
Não para as primeiras vendas, que costumam vir de clientes atuais e contatos diretos. Audiência ou tráfego pago entram depois, quando você já sabe quem compra e por quê.