A maioria das pessoas escreve a ementa depois. Grava o curso, sobe na plataforma e, na hora de montar a página, percebe que precisa descrever aquilo para alguém.
Feita nessa ordem, ela vira burocracia: um resumo do que já existe.
Feita antes, ela é outra coisa. Ementa de curso é o produto inteiro decidido numa página, antes de você ligar a câmera, e é o documento mais barato de corrigir que existe no processo.
O que é uma ementa de curso
É a descrição, em uma página, do que o curso cobre e do que a pessoa consegue fazer ao terminar.
Ela responde cinco perguntas e para por aí:
- Qual resultado o aluno alcança
- Para quem o curso serve
- Quais são as aulas e o que cada uma entrega
- Quanto tempo leva
- O que a pessoa precisa saber ou ter antes
O que a ementa não faz é detalhar o conteúdo dentro de cada aula. Isso é o conteúdo programático, e ele só faz falta quando existe exigência formal de alguma instituição. Para um curso que você vende direto, a ementa resolve.
Os cinco campos, um por um
1 · O resultado. Uma frase, com verbo, dizendo o que a pessoa vai conseguir fazer. “Ao final, você monta a precificação do seu ateliê e sabe reajustar sem perder cliente.” Fuja de “compreender”, “conhecer” e “explorar”, que não dizem nada sobre o que ela consegue fazer na segunda de manhã.
2 · Para quem. Descreva a situação, não o cargo. “Para quem já atende clientes e cobra por peça sem saber se está tendo lucro” funciona melhor que “para profissionais de costura”.
3 · As aulas. Uma linha por aula, e cada linha diz o que aquela aula entrega. O nome da aula pode ser bonito, mas a linha precisa ser concreta.
4 · A carga horária. Se você emite certificado, isso é obrigatório. Se não, o número que importa mais é a duração de cada aula, porque é ele que decide se a pessoa começa hoje ou adia. O critério está em duração ideal de aula em curso online.
5 · Pré-requisitos. O que ela precisa saber, ter ou já fazer. Isso evita reembolso de gente que comprou achando que era outra coisa.
Ementa de curso: um exemplo pronto
O formato inteiro numa página, para copiar e trocar o conteúdo:
Curso: Precificação para ateliê de costura
Resultado: ao final, você calcula o preço de cada peça com a sua margem real e sabe reajustar sem perder a cliente antiga.
Para quem: costureira ou ateliê que já atende e cobra por peça, sem saber se está tendo lucro em cada uma.
Pré-requisitos: nenhum. Basta saber quanto tempo você leva em cada tipo de peça.
Duração: 6 aulas, de 3 a 5 minutos cada. Cerca de 25 minutos no total, mais as fichas.
Aulas
- Por que o seu preço está errado. Você identifica qual dos três erros de preço é o seu.
- O custo que você não conta. Você calcula o valor real da sua hora de trabalho.
- A conta em quatro linhas. Você monta a fórmula de preço do seu ateliê.
- Preço por tipo de peça. Você preenche a tabela com os seus dez serviços mais pedidos.
- Como subir o preço sem perder cliente. Você escolhe a estratégia de reajuste que serve ao seu caso.
- A conversa difícil. Você sai com o script pronto para a cliente que reclamar.
Repare que todas as seis linhas começam com o que a pessoa faz. Nenhuma diz “entenderemos” ou “falaremos sobre”.
Como fazer a sua em uma página
Meia hora, nesta ordem:
- Escreva o resultado primeiro. Se ele não sair numa frase, o curso ainda está grande demais.
- Liste os passos entre onde a pessoa está e esse resultado. Passos que ela faz, não assuntos que você cobre. Cada passo é uma aula, e o número total sai daí, como mostra quantas aulas deve ter um curso online.
- Escreva a linha de cada aula começando com um verbo de ação do aluno.
- Some o tempo e confira se a soma parece razoável para quem vai comprar.
- Mostre para três pessoas do público. Pergunte o que falta e o que elas já sabem fazer. Esse é o passo mais barato do processo inteiro e o mais pulado.
Só depois disso vale gravar.
A ementa é a sua página de vendas
Esse é o uso que mais devolve trabalho investido.
A lista de aulas com o que cada uma entrega é, quase sem alteração, a seção que mais converte numa página de vendas. Ela responde a pergunta que a pessoa realmente tem, que é “o que eu vou conseguir fazer depois disso”, em vez de listar temas.
Por isso vale escrever cada linha pensando nos dois usos ao mesmo tempo. Uma ementa escrita com verbo de ação serve para produzir e para vender. Uma escrita com tema serve para nenhum dos dois.
Se o curso ainda não tem as decisões anteriores tomadas, a ementa vem depois delas, e a ordem completa está em como montar um curso online do zero.
Se a sua ementa é para uma instituição
Quem busca ementa nem sempre está montando um produto para vender. Professor de escola, quem dá aula em faculdade e quem vai credenciar um curso livre precisam de um documento com exigências próprias, e vale saber a diferença.
Nesse caso costumam entrar campos que o curso vendido direto dispensa:
- Carga horária por aula e total, muitas vezes com divisão entre teoria e prática
- Objetivos de aprendizagem escritos com verbos de taxonomia, como identificar, aplicar e analisar
- Conteúdo programático detalhado, tópico a tópico
- Metodologia e recursos usados
- Critérios de avaliação, quando há nota ou certificação formal
- Bibliografia, básica e complementar
A diferença de fundo é o leitor. A ementa institucional é lida por quem aprova o curso. A ementa de um curso que você vende é lida por quem vai pagar por ele, e por isso ela fala de resultado em vez de conteúdo.
Se você precisa das duas, escreva a comercial primeiro. Transformar resultado em objetivo de aprendizagem é rápido, e o caminho contrário costuma gerar um texto que ninguém compra.
Os erros mais comuns
Verbo de plateia. “Entenderemos”, “veremos”, “abordaremos”. Quem faz é o aluno, e o verbo precisa ser dele.
Aula que promete assunto. “Módulo 3: precificação” não diz nada. “Você monta a fórmula de preço do seu ateliê” diz tudo.
Carga horária inflada. Colocar “20 horas de conteúdo” como argumento de valor atrai quem compara volume e afasta quem tem pouco tempo, que costuma ser quem paga melhor.
Ementa escrita depois da gravação. Nessa ordem ela perde a única função que importava, que era impedir o curso de crescer sem controle.
O próximo passo
Abra uma página em branco e escreva só o resultado, numa frase com verbo.
Se ela sair fácil, liste os passos e transforme cada um numa linha de aula. Em meia hora você tem a ementa, e com ela na mão dá para testar o curso com três pessoas antes de gravar qualquer coisa.
E se quiser atravessar isso com método, saindo com a ementa validada e a oferta montada, é exatamente o que o Curso de Bolso em 7 Dias faz, uma decisão por dia.
Mais textos sobre entrega e o que acontece depois da compra estão em entrega e retenção.
Perguntas frequentes
O que é a ementa de um curso?
É o resumo do que o curso cobre e do que o aluno consegue fazer ao final. Numa página, ela lista objetivo, público, aulas, carga horária e pré-requisitos, sem entrar no conteúdo de cada aula.
Qual a diferença entre ementa e conteúdo programático?
A ementa é o panorama, em uma página, e fala de resultado. O conteúdo programático detalha tópico por tópico dentro de cada aula. Para um curso que você vende, a ementa costuma bastar.
A ementa precisa ter carga horária?
Precisa se você emite certificado ou atende exigência de instituição. Para curso vendido direto ao consumidor, o que importa mais é quanto tempo cada aula leva, porque é isso que decide se a pessoa começa.
Faço a ementa antes ou depois de gravar?
Antes, sempre. A ementa é o que impede o curso de crescer sem controle durante a gravação, e é o que você mostra para três pessoas do público antes de investir tempo produzindo.
Posso usar a ementa na página de vendas?
Pode, e é o uso mais rentável dela. A lista de aulas com o que cada uma entrega já é a seção que mais converte numa página, desde que cada linha fale de resultado e não de assunto.