Você abre três abas com as tabelas de taxa, monta uma planilha, calcula a diferença no seu faturamento do ano e descobre que dá alguns milhares de reais.
Aí lembra que perdeu 60% dos alunos do último lançamento antes da terceira aula, e que esse número não aparece em tabela nenhuma.
Escolher entre Hotmart, Kiwify, Eduzz ou Cakto é uma decisão real, e vale fazer com cuidado. Só que ela responde uma parte menor da sua conta do que parece.
O que as quatro resolvem igual
As quatro fazem a mesma coisa bem feita:
- Processam cartão, Pix e boleto
- Fazem antifraude e lidam com chargeback
- Liberam o acesso automaticamente depois da compra
- Cortam o acesso no reembolso
- Hospedam o vídeo e organizam em módulos
- Têm programa de afiliados
Se o seu problema é vender, qualquer uma das quatro dá conta. É por isso que a briga entre elas acontece na casa decimal da taxa.
Onde elas de fato diferem
Vale comparar nestes pontos, porque aqui a diferença é real:
Taxa e faixas. Todas trabalham com faixa por faturamento. Compare com o seu ticket e o seu mix de parcelamento de verdade, não com o exemplo da página. No cartão parcelado, a diferença entre parcelado e à vista costuma pesar mais que a diferença entre plataformas.
Afiliados. Se o seu canal é afiliado, o tamanho e o comportamento do marketplace importam mais que a taxa. É o item onde a Hotmart tem vantagem estrutural.
Recebimento. Prazo de saque e antecipação mudam o seu fluxo de caixa. Para quem faz lançamento, isso decide se dá para reinvestir em tráfego na mesma semana.
Suporte a você. Não o suporte ao aluno, o suporte ao produtor quando uma venda trava. Esse você só descobre perguntando a quem já usa.
Qual costuma fazer mais sentido por perfil
Sem ranking geral, porque ele não existe. O que existe é encaixe:
| Se o seu caso é | O que pesa na escolha |
|---|---|
| Vender por afiliados | Tamanho do marketplace e as regras de comissionamento |
| Vender só por tráfego próprio | Taxa e prazo de recebimento, já que o marketplace não é usado |
| Ticket alto e volume baixo | Parcelamento, antifraude e o suporte ao produtor quando trava uma venda |
| Ticket baixo e volume alto | Taxa por transação e estabilidade do checkout em pico |
| Público internacional | Moedas aceitas e retenção de impostos |
| Produto recorrente | Como a plataforma trata falha de cobrança e retentativa |
A última linha é a mais esquecida. Em produto de assinatura, a diferença entre uma plataforma que faz três retentativas de cobrança e outra que cancela na primeira falha vale mais que qualquer ponto percentual de taxa.
O critério que nenhuma tabela mostra
Agora a parte que interessa depois que a venda aconteceu.
Nenhuma das quatro se propõe a acompanhar o seu aluno. Elas entregam o acesso e saem de cena, o que é honesto: a proposta delas é vender e distribuir, não fazer ninguém terminar.
O resultado disso é conhecido. Cem pessoas compram, algo entre dez e quinze terminam. As outras não viram depoimento, não indicam ninguém e não compram o próximo produto. Quando o próximo lançamento chega, você precisa comprar audiência nova para repor.
Esse buraco não se fecha trocando de checkout. Ele se fecha com alguém olhando quem parou, em qual ponto e há quantos dias, que é um problema de entrega e retenção e não de meio de pagamento.
Então a decisão fica assim
Separe em duas, porque elas não competem entre si:
Decisão 1, onde cobrar. Hotmart, Kiwify, Eduzz, Cakto. Critério: taxa na sua faixa, afiliados, prazo de recebimento. Escolha e siga.
Decisão 2, o que acontece depois da compra. Critério: quem olha o aluno, como você descobre onde ele travou, o que ele faz quando a dúvida aparece às 23h.
As duas convivem. Dá para manter o checkout onde está e colocar a experiência por cima, conectada por webhook, sem refazer campanha nem migrar base. É como o Askine começa, exatamente para não obrigar ninguém a derrubar o que já vende.
O que perguntar antes de decidir
Cinco perguntas que respondem mais rápido que uma planilha comparativa:
- Qual a taxa na minha faixa real de faturamento, com o meu mix de à vista e parcelado, não a taxa da vitrine
- Em quantos dias o dinheiro cai e quanto custa antecipar
- O que acontece quando uma cobrança recorrente falha e quantas retentativas existem
- Quem me atende quando uma venda trava e em quanto tempo
- Como exporto minha base de compradores se um dia eu sair
A quinta é a que ninguém faz e a que mais dói depois. Toda plataforma é fácil de entrar.
O que muda quando você vende para fora do marketplace
Uma parte grande de quem escolhe plataforma hoje não usa afiliado nenhum. Vende por tráfego próprio, lista de e-mail e indicação.
Nesse cenário o marketplace deixa de ser vantagem e vira só um item da conta. O que sobra para comparar é mais seco: taxa, prazo, estabilidade do checkout e qualidade do atendimento a você. É por isso que produtores nessa situação costumam migrar para as plataformas mais novas: elas competem exatamente nesses quatro itens, porque não têm marketplace para oferecer.
O contrário também vale. Se metade do seu faturamento vem de afiliado, sair do maior marketplace custa mais do que qualquer economia de taxa. A conta muda de sinal.
Um teste rápido: olhe de onde veio o faturamento dos seus últimos três lançamentos. Se a fatia de afiliado for menor que 20%, a escolha é técnica e você pode decidir por taxa e prazo. Se for maior, o marketplace é parte do produto e trocar dele é trocar de canal de venda, não de ferramenta.
O erro comum de quem já está incomodado
Quem sente que a entrega está ruim costuma tentar resolver trocando de plataforma. Sai da Hotmart, vai para a Kiwify, monta tudo de novo, e três meses depois a conclusão está no mesmo lugar.
O sinal de que você está prestes a fazer isso: a sua lista de motivos para migrar tem “meu aluno não termina” no meio de itens sobre taxa e checkout. São problemas diferentes, com soluções diferentes. Se for esse o caso, as perguntas certas antes de trocar de área de membros evitam a migração inteira.
O próximo passo
Se a decisão 1 já está tomada e o que incomoda é a decisão 2, o começo é medir. Sem saber em qual aula a sua turma para, qualquer mudança é aposta.
A gente faz esse raio-x com você em trinta minutos, olhando o seu curso, sem proposta na mesa. Fale com a gente.
Perguntas frequentes
Qual a plataforma mais barata para vender curso online?
A taxa nominal muda pouco entre as quatro e varia por faixa de faturamento e forma de pagamento. Compare com o seu ticket e o seu mix real de parcelamento, porque no cartão em 12x a diferença entre elas costuma ser menor do que a diferença entre à vista e parcelado.
Posso usar mais de uma plataforma ao mesmo tempo?
Pode, e é comum em quem tem produtos diferentes. O custo disso é operacional: duas bases de comprador, dois relatórios e dois lugares para conferir acesso. Vale quando cada produto tem um público de afiliados diferente.
Trocar de plataforma faz perder os alunos antigos?
Não precisa fazer. A base é exportável e pode ser importada na nova, com acesso liberado por e-mail de compra. O que costuma se perder é o histórico de progresso, então pergunte isso antes de migrar.
A plataforma resolve a entrega do curso?
Ela hospeda a aula e libera o acesso. O acompanhamento do aluno depois da compra, que é o que decide conclusão e reembolso, é um problema separado e nenhuma das quatro se propõe a resolver.
Vale mais ter checkout próprio?
Só quando o volume paga a operação de risco, chargeback e suporte de pagamento que a plataforma faz por você. Abaixo disso, o desconto na taxa costuma custar mais caro em tempo de time.