Você abriu a turma com quinze pessoas. Na primeira call, todo mundo apareceu. Na quarta, sete. Na oitava, você está fazendo uma call para quatro pessoas e respondendo no privado as outras onze.
O formato não quebrou de uma vez. Ele foi quebrando semana a semana, e o ponto exato em que isso acontece é sempre o mesmo lugar.
Vale entender como estruturar uma mentoria em grupo antes de abrir a próxima turma, porque o desenho decide quase tudo.
As três decisões que sustentam o formato
Mentoria em grupo é uma promessa de acompanhamento vendida para várias pessoas ao mesmo tempo. Ela funciona quando três coisas estão resolvidas, e desanda quando falta a terceira.
1. O recorte da turma
O erro mais comum é formar turma por data de compra. Entra todo mundo que comprou em março, e você tem na mesma sala quem nunca fez a primeira venda e quem já fatura seis dígitos.
O que funciona é recortar por ponto de partida. Duas pessoas no mesmo estágio conseguem se ajudar; duas em estágios distantes travam uma a outra. Quem está na frente acha raso, quem está atrás acha rápido demais, e os dois somem.
Se você só tem volume para uma turma, escolha o estágio e diga isso na venda. É melhor vender menos e entregar do que encher a sala e perder metade.
2. O ritmo dos encontros
Semanal costuma ser o teto do que a pessoa consegue aplicar. Quinzenal funciona quando cada etapa exige execução mais longa.
A parte que muda o resultado não é a frequência, é de onde vem a pauta. Encontro que começa com “alguma dúvida?” é encontro perdido: quem mais precisa é justamente quem não levanta a mão.
O encontro bom começa pelo que travou a turma. Isso exige saber o que travou a turma antes de entrar na call, o que nos leva à terceira decisão.
3. O que roda entre os encontros
Aqui é onde a mentoria em grupo vive ou morre.
Entre terça e terça existem seis dias. É neles que a pessoa tenta aplicar, trava e decide se continua ou se deixa para depois. Se a única resposta possível é você, existem dois caminhos: ela espera, ou você atende no plantão.
Os dois terminam igual. Ela perde o embalo, ou você vira o gargalo da operação.
O que sustenta o intervalo:
- Um percurso, não uma pasta. A pessoa entra e sabe onde parou e qual é o próximo passo, sem procurar em gravação por data.
- Resposta disponível fora do horário. Nem toda dúvida precisa de você. Boa parte é “onde foi que ele falou disso”, e isso pode ser respondido na hora.
- Uma lista de quem travou. Nome, ponto exato, há quantos dias. É o que transforma o próximo encontro em intervenção em vez de rodada de perguntas.
Os três formatos mais comuns
Vale conhecer os três antes de desenhar o seu, porque cada um cobra um preço diferente da sua agenda.
Turma fechada com começo e fim. Todo mundo entra junto, percorre o mesmo caminho, termina junto. É o mais fácil de conduzir, porque a turma anda em bloco. O custo é comercial: você vende em janelas e fica com o produto parado entre uma turma e outra.
Entrada contínua. A pessoa entra quando compra e começa do início do percurso. Vende o ano todo, mas você tem gente em etapas diferentes na mesma call. Só funciona quando o percurso está bem montado e a call é usada para desbloquear, não para expor conteúdo novo.
Híbrido. Conteúdo em entrada contínua, encontro em turma. A pessoa avança sozinha e entra no grupo que corresponde ao estágio dela. É o que escala melhor e o que exige mais organização de material.
Não existe formato certo. Existe o que cabe na sua agenda e no seu tipo de conteúdo. O erro é escolher entrada contínua sem ter percurso montado, porque aí toda call vira aula introdutória para quem chegou ontem.
O que medir para não descobrir tarde
Quem desiste avisa em silêncio, e o aviso é sempre o mesmo:
- Dias sem entrar
- Mesma etapa revisitada três vezes
- Mesma dúvida repetida em semanas diferentes
- Presença que cai duas calls seguidas
Nenhum desses sinais chega até você por acaso. Ou existe um lugar que os mostra, ou você descobre no não renovado. É a mesma mecânica que faz o aluno abandonar o curso gravado, com a diferença de que na mentoria ele pagou mais caro e a frustração é maior.
O que fazer com quem entra atrasado
Toda turma tem quem comprou e só apareceu na terceira semana. Como você trata essa pessoa decide se ela fica.
O reflexo é dar uma call de recuperação individual. Funciona uma vez, e vira insustentável na terceira pessoa.
O que resolve sem custar a sua agenda:
- Um percurso que a pessoa consegue seguir sozinha até o ponto onde a turma está
- Gravação dos encontros anteriores ligada à etapa correspondente, não em ordem de data
- Um combinado claro de que ela entra na conversa quando chegar no ponto, e que isso não é punição
O que não funciona é fingir que ela não está atrasada. Quando o grupo discute a etapa 4 e ela está na 1, o encontro só reforça que ela ficou para trás.
O erro de escalar pelo tamanho da turma
Quando a mentoria funciona, a tentação é dobrar a turma. Trinta pessoas pelo mesmo trabalho de quinze.
O problema é que o trabalho não é a call. É o intervalo. Dobrar a turma sem resolver o intervalo dobra a quantidade de gente esperando por você, e a qualidade cai exatamente onde ela era o argumento de venda.
A ordem certa é a inversa: resolve o intervalo, depois aumenta a turma. Quem faz nessa ordem consegue crescer sem transformar o produto em plantão. Quem faz ao contrário passa a vender uma promessa que a própria operação não entrega, e o ciclo recomeça no lançamento seguinte.
Um desenho de partida
Se você fosse abrir a próxima turma amanhã:
- Defina o estágio de entrada e recuse quem está fora dele
- Monte o percurso em etapas curtas, cada uma terminando num ponto de aplicação
- Marque o ritmo dos encontros e prometa só o que cabe na sua semana
- Garanta uma resposta disponível no intervalo, que não dependa de você estar acordado
- Entre em cada call sabendo quem travou e onde
O item 5 é o que faz os outros quatro renderem.
O próximo passo
Se a sua mentoria já roda e o que pesa é o intervalo, o começo é enxergar onde as pessoas param. Antes de mudar formato, preço ou plataforma.
A gente faz esse raio-x com você: trinta minutos olhando o seu material e o seu formato, sem proposta e sem slide. Fale com a gente.
Se a dúvida for qual ferramenta sustenta isso, o que uma plataforma para mentoria precisa fazer trata só disso, e o resto de entrega e retenção segue o mesmo fio.
Perguntas frequentes
Quantas pessoas cabem numa turma de mentoria em grupo?
Depende de quanto acompanhamento existe entre os encontros. Sem nenhum, acima de dez a call já vira fila de dúvidas. Com material organizado e um canal de resposta funcionando no intervalo, dá para levar turmas maiores sem perder quem está atrás.
Qual a frequência ideal dos encontros?
Semanal costuma ser o teto de ritmo que a maioria consegue aplicar, e quinzenal funciona quando cada etapa exige execução mais longa. O que decide não é a frequência e sim se a pessoa consegue avançar sozinha no intervalo.
Como lidar com gente em ritmos diferentes na mesma turma?
Aceitando que vão estar. O que resolve é o percurso ficar disponível para quem quer correr e o encontro ser usado para desbloquear quem travou. Nivelar pela média empurra o rápido para fora e não segura o lento.
Mentoria em grupo ou individual: qual escala melhor?
A de grupo escala melhor em receita por hora, desde que o intervalo entre encontros esteja resolvido. Se não estiver, a de grupo só multiplica o número de pessoas esperando por você.
Como saber quem vai desistir antes de acontecer?
Pelo sinal que aparece antes: dias sem entrar, mesma etapa revisitada, a mesma dúvida repetida. Quem desiste quase sempre avisa em silêncio por duas ou três semanas.